Uma história esquecida

Memória e esquecimento, pessoas e personagens, morte e desaparecimento, lutas e conquistas, revoltas, alegrias, medo, camponeses e o estado de Goiás. Palavras que ajudam a contar uma história, que até o tempo tenta apagar. Mas o desejo de que ela reviva e não nos deixe esquecer a resistência de brasileiros pela posse de um pedaço de terra faz com que o passado seja recontado e reaprendido.

A Revolta de Trombas e Formoso, ocorrida na década de 50 no norte de Goiás, marcou uma das lutas camponesas mais importantes do Brasil, cujos integrantes conseguiram o título de suas terras depois de anos de conflitos armados com fazendeiros e a polícia.

Essa parte da história de Goiás não é vista nos livros escolares. Essa parte da história de Goiás é pouco lembrada pela imprensa. Essa parte da história de Goiás é esquecida nas falas dos políticos. Essa parte da história de Goiás é apagada da memória do povo goiano.

E a gente se pergunta: Por quê?

Foi com esse questionamento que surgiu o Projeto de Extensão Trombas e Formoso: a vitória dos camponeses, na Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás. Mas este projeto não surgiu assim, de repente. Ele faz parte de um processo de aprendizado de um grupo de alunos que vê a comunicação com uma função a mais do que a praticada na grande mídia goiana e brasileira, e com um algo a mais do que o que é aprendido nas disciplinas do curso.

Esse algo a mais foi aprendido junto a um coletivo, a Magnífica Mundi, que tenta compreender a sociedade a partir do povo, do subalterno, daqueles que não são ouvidos, daqueles que são excluídos, daqueles que são invisibilizados.

A Revolta de Trombas e Formoso é tudo isso. E foi a vontade de conhecer essas pessoas e personagens, resgatar a memória e o esquecimento, entender a morte e o desaparecimento, reconstruir as lutas e conquistas, valorizar as revoltas e alegrias que moveu os integrantes desse projeto para um caminho de volta ao passado, mas não tão distante do nosso presente. Para isso contamos com a ajuda de várias pessoas, as quais sempre agradeceremos, e a orientação de três professores: Juarez Maia, coordenador do projeto, Nilton José, eterno incentivador de sonhos, e Rosana Borges, que muito contribui na sistematização teórica e metodológica deste trabalho.

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