Meu sorriso

Um amigo me disse que existe uma metáfora indígena que diz que um sorriso pode ser um poema brasileiro. E eu o respondi dizendo que o meu sorriso é minha melhor arte e é justamente ele que uso pra compreender e esconder alguns mistérios. Sorriso que se traveste de alegria, emoção, timidez, desconfiança, safadeza, às vezes se torna um pouco amarelado e em outras se torna tão grande que mal cabe no tamanho de mim mesma.

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Entre parques e praças

Em 2010 me aproximei da Geografia. Fiz uma especialização no IESA (Instituto de Estudos Sócio-Ambientais), na UFG, uma disciplina em Geografia Cultural, conheci professores e projetos. Desde então, passei a reparar nos lugares pelos quais eu passo, nas cidades onde vou, nas mudanças que acontecem e nem percebemos. Paisagens naturais e culturais que são construídas, descontruídas, reconstruídas. Paisagens que se modificam na mesma velocidade em que as pessoas encaram a vida. Paisagens que compõem nossa rotina, espaços que ocupamos e desocupamos de acordo com os interesses de alguns.

Pensei em tudo isso quando hoje fui fazer caminhada no horto ou Alameda das Rosas ou Zoológico, como preferirem. Depois de muito tempo, talvez um ano, voltei ali e já no caminho percebi algumas mudanças. O prédio que estava sendo construído onde antes era um hospital, já está quase pronto. Tão alto que não é possível ver seu topo sem parar e girar a cabeça para cima como uma criança que vê um pássaro ou um avião (ou quem sabe o super-homem). Apartamentos duplex, na beirada do Lago das Rosas que já há algum tempo está sendo reformado, reestruturado, modificado. No outro lado do Lago outro prédio sendo construído, mas esse ainda está no início. Até mesmo o Teatro Inacabado foi reinaugurado com uma cara nova. O Lago das Rosas está sendo repensado. Não vou entrar aqui na discussão do Zoológico, se deve ou não existir; se deve ou não permanecer ali. Quero apenas falar sobre o Horto.

Falar de praças e parques aqui em Goiânia é falar também sobre especulação imobiliária. A cada novo parque ou área verde construída um mar de prédios ao seu redor. Ou seria a cada mar de prédios que se pretende construir um parque ou área verde aparece? O Parque Flamboyant é um dos exemplos. Prédios cada vez mais caros e luxuosos vão aparecendo e ocupando espaços antes desocupados. Desocupados? Alguém se lembra do que existia antes nos lugares onde hoje estão vários prédios na cidade? Difícil lembrar….

Outro exemplo é o Goiânia 2, indo para o Campus Samambaia da UFG. Um parque foi construído, inaugurado no aniversário de Goiânia e pra mim ainda hoje parece que nunca foi concluído. Acho que esses espaços representam para a (alta?) sociedade goianiense a qualidade de vida da qual tanto se orgulham para descrever a capital. Durante a tarde uma caminhada, um passeio com as crianças, reunião de mães e pais, um breve momento para esquecer todos os outros problemas que existem na cidade, nas cidades.

No Lago das Rosas isso não é diferente. Localizado em um dos m² mais caros de Goiânia, o lugar nunca perdeu seu significado junto à elite goianiense. Mas agora ele está sendo revalorizado. Se antes as pessoas iam ali só pra fazer caminhada, agora elas já podem levar seus filhos para brincar. Na última vez que estive lá estavam em um processo de trocar as grades, abrir a visão para o zoológico. Hoje me deparei com um muro sendo construído do lado contrário à Avenida Anhanguera. Não sei o que pretendem ali. Outra novidade foram os aparelhos fixos para fazer exercícios físicos. Modernos? Bonitos? Nem precisamos mais pagar academia hein. Um personal trainer acompanha seu cliente. Ah, e sabem aqueles quiosques que vendiam água de coco? Pois é, não existem mais. E assim nos sentimos bem e nos orgulhamos da vida saudável que levamos, exercícios físicos, ar livre e o resto? Ah, o resto é o resto.

Bom senso

Ah se eu fosse mais sensata

usaria meu senso

pra praticar insensatez,

aí meu senso não seria bom,

seria ótimo!

Senso sensato

Senso sensato da sensatez,

mas se fosse mais sensato

seria bom… senso

Sensatez perdida em um ato sensato

para lembrar que o senso

era pura sensatez.