Entre folias e foliões

No domingo, 30 de janeiro, acordei lá pelas 6h e fui para a Matriz de Campinas para o 10º Encontro de Folias de Reis em Goiânia. Quando cheguei ainda estava escuro e a igreja seguia quase vazia. Algumas pessoas ocupavam as primeiras fileiras, enquanto outras acendiam velas para os santos, algumas rezavam ajoelhadas. Lá fora, alguns grupos de folia afinavam suas sanfonas e violas.

Entrei na igreja, peguei meu folheto da missa (um pouco diferente por causa do encontro) e me sentrei na ponta do último banco da segunda fileira. Um senhor chegou perto de mim e me disse: “Licença!” (Já pensei que aquele era um lugar reservado aos foliões) “Eu posso chegar esse banco apra trás? É que eu sento aí (o lugar onde eu estava) todos os dias, mas eu sempre chego o banco para trás, mas como você chegou primeiro eu quero só afastar.” O ajudei a arruamr o banco e me sentei no banco da frente. Ele insistiu para que eu ficasse no lugar e eu lhe disse que pra mim não fazia diferença. Mania, superstição ou tradição? Pensei se ele já havia brigado pro aquele lugar alguma vez. Talvez agora passe a chegar mais cedo na igreja para não perder seu lugar novamente.

Aos poucos a matriz foi se enchendo, as canções e os cantos dos pássaros aumentavam e enchiam também aquele lugar. A missa ficou tão cheia que não havia mais lugar pra todo mundo. Muitas pessoas ficaram em pé, enquanto outras faziam questão de escolher onde iriam se sentar. “Eu gosto de sentar de frente pro Santíssimo”, disse uma senhora que se sentou ao meu lado.

A missa começou com os cantos dos grupos de folia (cada grupo cantou e tocou uma canção diferente) e a entrada dos 3 Reis Magos, uma menina com a estrela do Oriente, e Nossa Senhora empurrando um presépio. “A estrela tem que vir na frente!”. “Se eu fosse presidente desse grupo de folia não deixava uma mulher negra entrar como Nossa Senhora”……

Depois da missa os grupos de folia se apresentaram. Mas antes de começarem, a festa ficou por conta dos palhaços dos grupos que disputavam as moedas que eram jogadas pelas pessoas que ali estavam. O choro, seguido do sorriso era a reação de crianças que viam pela primeira vez essas figuras da folia.

O início das apresentações demorou a começar e um dos motivos do atraso foi a politicagem, que sempre atrapalha. Esperar políticos chegarem, depois esperar políticos falarem  e finalmente a Orquestra Raízes de Pontalina ao som do berrante. As pessoas se amontoavam em pé ao redor da estrutura montada para verem os grupos. Uma senhora sentada ao meu lado me disse que todo ano vai ao Encontro e aproveita o início da conversa pra me contar de sua vida.

Entre crianças, jovens e senhoras a festa tradicional no nosso estado, ocupa novos espaços e ganha novos significados. A cultura popular se transforma e se renova e conquista a atenção dos que estão ali presentes.