Questões de dominação

Historicamente uma sociedade sempre foi dominada pela outra, seja na Europa ou na América pré-colombiana, sejam os romanos, os incas, os aimarás ou os xavantes. Todos eles foram sociedades que dominaram outros povos. E essa dominação sempre abarcou o campo cultural também, sejam os costumes, a língua, a religião ou as festas (ou tudo isso junto).

Por isso, não me venham com esse papo de que hoje vivemos em uma sociedade alienada, em que os Estados Unidos e a Europa dominam a produção cultural mundial e bla bla bla. O povo, que insistem em chamar de massa, pensa, produz, se apropria de conteúdos, cria e as culturas vão se fundindo, se transformando, em uma compelxidade muito maior do que a lógica dita pelos que estudam os meios massivos.

Parafraseando um conhecido, existe vida além da televisão. As pessoas gostam de se reunir, de fazer festa, de conversar. Elas não passam o dia na frente da caja tonta (como diria a Mafalda). É claro que a influência sofrida pelo conteúdo desses meios varia de pessoa a pessoa, em uns mais e em outros menos. Mas não é falando que o povo é alienado e pronto que nós vamos resolver as questões de dominação que aconteceram, acontecem e acontecerão no mundo. É preciso muito mais do que isso.

Em defesa da cidade

Na minha última aula de italiano foi proposto um debate campo x cidade. Na divisão fiquei com a última e no mesmo momento pensei o quão difícil seria essa tarefa. Na busca por argumentos, decidi que não iria defender essa cidade onde vivemos, construída e que cresce para o dinheiro e poder de poucos e pelo suor de muitos.  Mas uma cidade justa, à qual todos têm direito e pela qual todos deveriam lutar.

Decidi falar de uma cidade em que as distâncias não são tão grandes por causa de um transporte público eficiente e de qualidade. Em que os hospitais recebem a todos com respeito e dignidade. Em que as escolas prezam por uma educação pela transformação. E onde a criatividade é incentivada pelos palcos imaginários ou não.

Decidi falar não de uma cidade feita de prédios e carros, mas daquela construída pelas relações humanas. Dos picnics nos bosques, dos namoros nas praças, do futebol das noites de segunda, dos desabafos nos bares, dos mutirões de domingo, das festas nos quintais, das gargalhadas pelas ruas, das histórias presentes nos becos e esquinas. Histórias que devem ser buscadas, encontradas, ouvidas, compartilhadas.

Infelizmente estou falando de uma cidade que muitas pessoas desconhecem e ignoram. De uma cidade em que existe o compartilhar, o vivenciar, o ajudar. De uma cidade que pulsa, que vive, que se transforma e se propõe a mudar. De uma cidade que tem em sua história a cultura do campo enraizada, fundida, presente rotineiramente. De uma cidade que precisa do campo e que existe por causa dele. Mas eu também estou falando de outro campo e não desse das grandes plantações.