Questões de dominação

Historicamente uma sociedade sempre foi dominada pela outra, seja na Europa ou na América pré-colombiana, sejam os romanos, os incas, os aimarás ou os xavantes. Todos eles foram sociedades que dominaram outros povos. E essa dominação sempre abarcou o campo cultural também, sejam os costumes, a língua, a religião ou as festas (ou tudo isso junto).

Por isso, não me venham com esse papo de que hoje vivemos em uma sociedade alienada, em que os Estados Unidos e a Europa dominam a produção cultural mundial e bla bla bla. O povo, que insistem em chamar de massa, pensa, produz, se apropria de conteúdos, cria e as culturas vão se fundindo, se transformando, em uma compelxidade muito maior do que a lógica dita pelos que estudam os meios massivos.

Parafraseando um conhecido, existe vida além da televisão. As pessoas gostam de se reunir, de fazer festa, de conversar. Elas não passam o dia na frente da caja tonta (como diria a Mafalda). É claro que a influência sofrida pelo conteúdo desses meios varia de pessoa a pessoa, em uns mais e em outros menos. Mas não é falando que o povo é alienado e pronto que nós vamos resolver as questões de dominação que aconteceram, acontecem e acontecerão no mundo. É preciso muito mais do que isso.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Philippe
    out 26, 2011 @ 01:03:41

    Aí, ó, mais uma vez eu concordo com a Gabi, e tenho que comentar…

    É engraçado notar o quanto o idioma viciadinho da universidade pode afetar os acadêmicos e, por extensão, aqueles que são obrigados a ouvi-los. O dialeto incorpora, a cada dia, vocábulos insuspeitos (ou nem tanto assim): fala-se em minorias, em alienação, em liberdade de expressão, até mesmo – vejam só – em progresso, em avanço, em diversidade! Fala-se, fala-se, fala-se. Até aí nenhum problema. O problema é o tom com quer se fala: o muxoxo empertigado do sábio, a avidez professoral dos analistas de meio tempo, “tchum-tcham, mais uma verdade que engavetamos” – nós, a voz dos oprimidos, a voz dos que não têm voz, a voz da Razão, os porta-vozes, – vox popoli, vox dei…
    É aí então que acontecem essas coisas – que somos obrigados a ouvir essas coisas: somos os consumistas culturais (quais são as nossas raízes?), vivemos presos a padrões que não criamos, a cultura popular está se degradando (sim, porque existe “a” cultura popular, um acervo substantivo, metafísico, imune, indene, sobrevivente, preservado, mais verdadeiro, mais original; e ela está ameaçada, cuidemos dela, meu Deus do céu, porque ela existe!) e “blá blá blá”…
    Sabe o que é pior? É que muitas pessoas nos ouvem! Elas nos ouvem! Mas fulano é formado, fulano é formado nisso e naquilo! Ele estudou demais! Tem gente lá fora que acredita no acadêmico; e o que ele faz? Retribui com seu esnobismo intelectualista, na mediocridade desse maldito blaseísmo (que todos conhecem, não é verdade?) e, se for bem intencionado, acenderá a velha tocha da megalomania, e tentará conduzir o “povo” pela mão… O Povo, esse monstro triste e sem cabeça….

    Responder

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