Quando se conquista junto

No ônibus, a caminho de Goiânia, recebo uma mensagem, sim SMS porque sou da velha guarda, avisando “Não passei”. Não precisava de mais que isso pra perceber a tristeza e o cansaço naquelas palavras. Ela acreditava que ia passar, eu tinha certeza. Senti exatamente o desânimo de um ano antes quando foi minha vez de lhe enviar esta mesma notícia. Naquela hora, sem muito o que dizer, porque não há muito o que dizer, só consegui responder a parte de Cem Anos de Solidão que tinha ficado mais presente depois de reler o livro: A vida anda em círculos, você vai voltar pra Campinas. Eu apenas sentia que ia dar certo e ela penas se esforçava pra acreditar em mim, sempre duvidando da possibilidade ou dela mesma.

Quinze dias depois, com um oceano de distância, recebo outra mensagem dela, agora pelo whatsapp, P-A-S-S-E-I. O texto não foi escrito assim, mas foi assim que eu li. Um orgulho e um alívio por ter alimentado um sentimento que enfim se concretizava. A felicidade só não foi completa porque faltou o abraço e o brinde, mas ela estava lá, na empolgação de contar pra todos os amigos e conhecidos e espalhar: ela também conseguiu.

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